Estados de sítio e alma.

4.21.2010

vontade

Às vezes parece que tudo desaba, que tudo está perdido. E a única coisa que existe é apenas um corpo vazio, cheio de vontade de gritar.
Os dias tornam-se mais pequenos, já nenhuma música nos põe a mexer, o sol muda de cor e o tempo passa demasiado rápido ou parece não passar. As vontades já não se dividem e estão todas concentradas em "sair daqui", qualquer que seja o sitio.
Nada é suficiente e tudo é exagero.

Tudo isto e muitas outras coisas já nos passaram pela cabeça... Pois bem, esqueçam os "manuais de felicidade" que encontram na fnac e esqueçam também o horóscopo da Maya tentando encontrar alguma esperança de que "hoje é o seu dia de sorte"!
Tudo isto é um mito que nos faz viver na utopia em que se gastarmos 14€ o nosso problema fica resolvido numa semana.
Olha para o espelho. Sabes quantos anos tens? Subtrai a tua idade à idade média de vida - é isso que ainda te resta viver. Vale a pena dizer mais alguma coisa?

Encosto-me para trás, relaxo os ombros, fecho os olhos e carrego no "play". Esta música é tão melhor que o resto... Tudo parece mais pequeno e a melodia invade o meu cérebro até partilhar o meu pensamento.
Saio de casa.
Há tanta coisa para fazer, que a porta das energias negativas parece estar fechada. O sol põe-se devagar e apesar de ser final de tarde, ainda está calor suficiente para me manter quente.
Afinal de contas há vida...e está cá para ser aproveitada.

Faz tudo hoje, o máximo que puderes... para amanhã fazeres mais e melhor!

:)

3.23.2010

rewind


Às vezes tenho vontade de partir para o inico, começar tudo de novo e fazer melhor.

(p.s.: b, para a próxima vez, vê se tiras o dedo da objectiva...)

3.22.2010

outra metade

Vê lá tu que ainda no passado domingo o tio ZL foi almoçar lá a casa. E a mãe não se conteve em contar aquela tua história - mais uma de muitas.
Quando passavas em frente ao stand, apitavas e gritavas "Óh ZL queres almoçar? Então vai a tua casa!". Sem contar com aquela vez em que ele apareceu mesmo para almoçar de "surpresa".
Por mais que sinta falta de tudo isto, consigo sempre soltar uma gargalhada inconsciente cada vez que tenho estas memórias. Em como conseguias soltar um sorriso que a avó tentava esconder por trás daquele humor frio de mulher do norte. Ou no casamento da tia P, que bebes-te e danças-te até tirar a gravata e desapertar os primeiros botões da camisa azul.
Não me esqueço daquela vez em que me ajudas-te a salvar o passarinho que tinha caído da árvore da escola.

Se eu soubesse o que sei hoje, tinha-te abraçado até agora.
Estou sempre do teu lado, do nosso. E estou a melhorar o meu problema de expressão.

3.14.2010

horas

Às vezes só me apetece ser a rainha dos relógios e controlar o tempo como me apetecer. Viver novamente, pôr Play, pause, rewind.
É nestas altura que penso que o tempo não é nada mais que um timing para as pessoas se orientarem, mas que a mim só me desorienta. Não quero horas nem horários. Porque também quero apanhar o comboio às horas que me apetecer, jantar quando quiser, trocar às vezes a lua pelo sol e não ser ridículo só porque soa no relógio meia-noite.
Dá-me tempo. Preciso de tempo.